Pois, não foi á meia-noite nem perto, mas está aqui (e é Terça-Feira...)
Ah, e peço desculpa por não poder seguir o teu conselho, Sofia, porque isso implicava ter de ter sempre tudo pronto á mesma hora e poder estar cá sempre á mesma hora, e não consigo fazer isso xD
Aqui vai :P
Ao longe, distingui-a já o vulto de uma grande casa.
Há já duas horas que havíamos deixado a estrada principal para seguir por uma estrada secundária e mal alcatroada.
Dos meus lados, apenas conseguia distinguir erva alta, à luz fosca do amanhecer.
Devíamos estar no carro á horas.
Olhei para o relógio, presente no monitor do auto-rádio.
Cinco e vinte da manhã. Já andávamos à nove horas.
De qualquer forma, duvido que conseguisse ver mais do que erva se estivéssemos em pleno dia.
Não falara a viagem toda, absorta nos meus pensamentos infelizes ou meio a dormir, mas também duvidava do facto de receber uma resposta se falasse, pois a única coisa que me indicava que o condutor estava vivo era o facto estarmos a fazer as curvas. Não emitia qualquer som, assim como Futsu, que estivera anormalmente calado durante toda a viagem.
O homem não reclamara quando arrastara o cão para o meu lado, por isso achei que também não o faria se o tirasse da pequena bolsa onde se encontrava. Também não se importara –Ou talvez se tivesse importado, mas não disse nada, por isso…
Ao meu lado, Futsu remexeu-se, sentindo o carro abrandar.
Agora estávamos verdadeiramente perto da casa, que só agora revelava o seu verdadeiro tamanho.
O carro descreveu mais uma curva, andou mais meia dúzia de metros e parou, à frente do possante edifico.
O homem abriu a porta do carro, contornou-o e abriu a minha.
O ar frio bateu-me na cara, suavemente, espantando-me. Pensara que estava calor, mas afinal parecia que isso se devia inteiramente ao aquecedor, que estava no máximo.
Olhei, de alto a baixo, a majestosa casa.
Parecia ter três andares e era de uma pedra branca, granítica, com aspecto antigo.
No último andar, podiam contar-se dez janelas, apenas daquele lado da casa.
Era rectângula, sem mais adornos que aqueles que se encontravam no jardim mal iluminado, e a única coisa que a impedia de ser geométrica era a entrada, que formava um pequeno quadrado do lado direito e a chaminé fumegante, no telhado de um tom verde-escuro.
Ouvi um ligeiro arfar e virei instintivamente a cara, para ver o homem retirar duas malas pesadas de dentro do carro –e ia ficar-me mesmo muito mal limitar-me a olhar, pelo que corri para pegar na mala que restava dentro do carro, assim como a bolsa vazia de Futsu, que corria atrás de mim alegremente, farejando o chão de gravilha.
O homem –e já me estava a cansar de lhe chamar isto –pousou as malas que transportava no chão e correu para abrir a porta, que Futsu passou sem cerimonias, deixando-me sozinha à espera que me fizessem sinal.
O sinal não demorou, pois vi o braço anafado do homem indicar-me que entra-se, deixando-me mais admirada ainda quando observei a divisão onde me encontrava.
As paredes eram lisas e pintadas de um caloroso tom azul-mar, que condizia com as três poltronas brancas que se encontravam do meu lado direito e a mesa de madeira clara do lado esquerdo –pelo ar de tudo aquilo, deduzi que fosse como uma recepção de um hotel, e que durante o dia alguém estaria sentado na cadeira que se encontrava por detrás da mesa.
O motorista ia posar as malas de novo, no entanto eu antecipei-me, colocando a alça da bolsa no pulso e usando a mão, agora livre, para pegar no manipulo e puxar o mesmo para baixo. O homem baixinho sorriu-me, murmurando um «obrigado» quando lhe fiz sinal para passar.
A sala seguinte era semelhante à primeira, com paredes no mesmo tom e algumas poltronas iguais.
O chão era de mármore branco, e suportava algumas mesas de madeira azul clara, com algumas revistas em cima.
Um súbito embaraço atingiu-me quando percebi não estar sozinha na sala.
Estavam lá mais doze pessoas, algumas sentadas a ler nas poltronas, outras a ler no chão e ainda umas quantas encostadas à parede. Poucas conversavam.
Pronto, estava na hora das minhas primeiras impressões.
Cinco eram raparigas, e comecei por observá-las a elas.
A primeira ao alcance da minha vista envergava um vestido branco, ao estilo Vintage que dizia «Luís Vuiton” a um canto e uns sapatos caros do género sabrina.
O cabelo loiro estava esticado até chegar ligeiramente abaixo do peito –que prefiro não comentar – e os olhos mostravam terem sido colorados com uma ligeira sombra também ela branca. No braço direito tinha uma data de pulseiras que, quase que podia apostar, eram de prata.
Boa, a primeira era uma menina riquinha, daquelas snobes com as quais nunca me dei bem.
Passei os olhos em volta localizei a próxima rapariga.
Tinha o cabelo preto curto, com algumas madeixas roxas e uma sombra tão escura como o cabelo, um lápis fortemente marcado e uns lábios com duas variantes de cores, entre preto e rosa.
Não sei bem se estava a gozar ou se pensava realmente que em breve as meias de rede que envolviam quase toda a perna, as saias de pregas rosa e pretas, as camisolas com caveiras roxas e os piercings prateados em breve estariam na moda.
Também não me dava bem com pessoas daquele género, menos uma.
A seguinte, que extraordinariamente parecia falar com ela, tinha cabelos loiros em cacho até aos ombros, um vestidinho verde e um gancho com uma grande flor no cabelo.
A cara era redonda e corada.
Primeiro facto: odiava aquele tipo de parolas. Segundo facto: Só podia ser ainda mais parvinha se estava a falar com a outra armada em sei-lá-o-quê.
A seguinte, sentada no chão a ler a Vogue tinha um aspecto comum, com cabelos castanhos a cair sobre a revista, uns calções simples e um top azul escuro.
Tinha, enfiadas nos pés, umas sandálias.
Em contraste com as outras, pareceria normal, embora não fosse normal ver alguém de sandálias e calções naquilo que deveria ser uma cerimónia importante.
E a última era… Bem, podemos dizer, em linguagem de adolescente estúpido, era uma boazona.
Tinha curvas acentuadas, a pela bronzeada exactamente ao nível certo e os cabelos loiros compridos.
Parecia uma daquelas surfistas profissionais que se vêem em grandes eventos de Surf, onde não se podem levar rapazes.
Agora, entre os rapazes…
A maioria não chamava a atenção, eram sete, mas apenas reparei em três.
O primeiro tinha cabelo loiro, uns abdominais de meter medo em relevo por debaixo do top e cara de morrer, o verdadeiro rapaz perfeito, também bronzeado, e que o mais provável seria atirar-se à Surfista.
Parecia indiferente ao facto de todas as raparigas já terem olhado para ele, e algumas continuassem a fazê-lo. A menina rica parecia ter os olhos colados ao seu rabo.
O segundo, que falava com ele em voz baixa, tinha cabelo preto curto, uma musculação aceitável e um ar simpático –OK, era me-e-e-esmo giro.
E o terceiro, sentado a um canto, não me chamou a atenção por ser deslumbrante, mas por ter ar de nerd.
Era magro e vestia uma camisinha, correctamente enfiada para dentro das calças que lhe chegavam ao umbigo.
Quase que tinha pena dele por ter de usar aqueles óculos redondos.
O resto dos rapazes na sala não era nada mais do que aquilo que resumo em poucas palavras: Um de origem asiática, nem era muito feio, dois rapazes normais (ou seja, daqueles que se olha para eles e se mete conversa apenas para conversar) e um mesmo feioso.
Quando entrei, todos os olhares se desviaram na minha direcção, parecendo avaliar-me assim como eu fizera com eles.
O rapaz giro olhou-me, e murmurou qualquer coisa ao outro que se riu e me olhou também –Não me parecia que estivessem a dizer algo muito mau.
O nerd sorriu-me, sorriso que retribuí e um dos outros rapazes assobiou. Não consegui perceber de que lado tinha vindo o barulho.
Não ouve mais nenhuma reacção, por isso limitei-me a pousar as malas junto a todas as outras, encostando-as a uma parede.
No entanto, não consegui passar assim tão despercebida quando Futsu entrou.
Correu loucamente pela sala adentro, farejando tudo o que se lhe metia à frente do nariz, lambendo dedos e recebendo festas e risos por todo o lado, no entanto, quando correu para o meu colo, todos os ruídos cessaram e os olhares pareceram fixar-se em mim, curiosos.
-Pois, se eu soubesse que os podia-mos trazer… -murmurou a miudinha parola para a rapariga das madeixas. Esta não esteve com meias conversas, revirou os olhos como quem dizia que não estava com paciência e afastou-se, pegando numa da várias revistas.
Sentei-me, encostada a uma das grandes malas que ali estavam e deixei Futsu sair dos meus braços, para voltar a andar à volta da sala.
Entretanto, as horas foram-se seguindo, infinitas, umas atrás das outras, até que a luz mais forte foi surgindo lá fora.
E foram entrando, até às dez da manhã, os restantes sete alunos.
Um rapaz de cabelo rapado e ar ligeiramente idiota, um outro horrível e um mais girinho.
Das raparigas, entrou outra normal, de cabelos pretos aos caracóis, uma nerd (como era inevitável que acontecesse), outra que parecia uma Cheerleader e a seguinte uma miúda daquelas parvinhas, que fuma uns charros nas festas porque acho que dá estilo e dorme com todos os rapazes da equipa de Basquetebol –Ou seja, uma pega.
O meu telemóvel apitou, dando-me sinal de que eram dez da manhã, e ouviram-se passos no corredor.
Não tardou muito a porta rangeu, e um homem velho, mirrado, entrou, sorridente.
___
Bjs,
Tina!
Bem Vindo/a!
20/04/10
12/04/10
Capitulo 4
Novamente, ainda não é 3ª, mas tenho medo de não conseguir publicar amanhã, então aqui vai:
Por meros segundos, aqueles diminutos segundinhos da minha vida, tentei ignorar o toque intermitente do Telemóvel.
No entanto, o relógio era claro: Sete da tarde, não podia fugir mais.
Levantei-me das velhas cadeiras de madeira do café, com uma lágrima no canto do olho, esforçando-me por não chorar, por não guardar como última memória do “meu grupo” uma imagem enevoada e confusa.
Mas não adiantava suprimir, não adiantava mesmo nada, pois Jennifer já se desfizera num prato interminável.
-Não… N… Não vás! –pediu-me, entre soluços.
Apetecia-me berrar. “Não Vás”!?! Isso era exactamente o que eu queria fazer, queria sentar o rabo naquelas cadeiras e não me mexer até começarem as minhas aborrecidas (as normais) aulas de Décimo Primeiro ano, em Ciências.
Apesar daquilo que me corria na mente, não pude responder-lhe mais do que um simples «Também não queria, mas tem de ser…». Tinha de evitar magoar a minha melhor amiga no dia da nossa despedida.
Matt aproximou-se de mim, limpou-me a lágrima solitária que já me corria pela bochecha e abraçou-me.
-Não ligues –murmurou-me, risonho –Em breve estás de volta.
Fiz um esforço por lhe sorrir também, embora apenas me tenha saído uma amostra nojenta daquilo que costumava ser o meu antigo sorriso.
Aquela era a cara que sempre lembraria associada ao desporto, à boa-disposição, à alegria é ao positivismo, embora fosse também a cara do meu ex-namorado, não via nada disso nela. Aliás, as personalidades eram tão diferentes que quase não me lembrava de que eram gémeos.
Teresa veio em seguida, com um sorriso triste nos lábios.
-Não te esqueças de nós –disse-me –Mas não te impeça de arranjar mais alguém. Tenho a certeza de que serás feliz ali, e quando voltares, tens-nos aqui, assim como nos deixas-te…
-Só que mais parvos e mais bêbedos –riu-se Griff ainda sentado na mesa.
Teresa tremeu de raiva.
-Não, assim como nos deixas-te
Sorri-lhe também, embora as lágrimas já escorressem abundantemente pela minha cara, e ainda me consegui arrancar um riso débil para Griff.
Ele levantou-se também e veio ter comigo.
-Então miúda, não fiques assim. Sabes que vamos estar sempre aqui, e podes sempre mandar uma SMS, a não ser que queiras falar com a Meg, sabes que essa nunca tem bateria… Mas pronto, estamos quase (quase) todos a um SMS de distância.
Meg sorriu-me.
-Já disse que é um problema na bateria! –exclamou, e depois virou-se para mim –Mas não interessa, arranjo-a rápido, só para ti!
O seu sorriso de cabeça-de-vento fez-me desatar a chorar, sentando-me na minha cadeira.
Ela aproximou-se de mim, colocando-me a mão no ombro.
-Não, desta vez é a sério, eu arranjo-a mesmo! –insistiu, com voz consternada.
-Não é a mesma coisa –respondi-lhe –Com nenhum de vocês! Eu quero estar aqui quando se puserem a discutir, quero estar aqui quando forem à praia e a Teresa se vá embora chateada, quero estar aqui nos jantares de aniversário que fizerem na Pizzaria e quero estar aqui quando o Griff se puser a deitar coca-cola pelo nariz! Eu vou ter saudades de tudo, t-u-d-o!
-Eu sei que sim –murmurou ela, tristemente –Também quero que cá estejas, mas não podemos fazer nada. E agora está na altura de levantares a cabeça para o que vem a seguir, porque embora não possas estar cá, sabes que nós cá estamos, e que poderás contar connosco.
-E –acrescentou Griff –Se o problema for veres-me a deitar bebidas pelo nariz, eu posso filmar!
-Eu acho que ela dispensa –Afirmou Teresa, torcendo o nariz.
-Não. –respondi –Eu quero estar cá sempre, custe o que custar (mas pelo menos nomeia o vídeo, para eu não ter de abrir.)
Levantei-me, forçosamente e despedi-me de todos, um por um.
Jennifer ficou para o fim, correndo até mim e dando-me um demorado abraço.
-Eu não te esqueço, prometo. –sussurrou.
-Eu sei –respondi –Nem eu a ti.
Estava à porta de casa, com as minhas malas indispensáveis, quando um grande carro preto chegou.
Não seria necessário referir que era enorme, com a maior bagageira que já vira e um formato antiquado. Não apresentava marca, mas sim uma pequena assinatura no lado direito do capo, que não consegui ler.
Um condutor de aspecto simpático saiu de lá de dentro, completamente diferente daquilo que seria de imaginar para alguém que conduzisse aquele tipo de carro.
Era baixo e semi-calvo, com apenas alguns cabelos castanhos a coroar-lhe a cabeça redonda. Tinha um ar alegre e umas bochechas rosadas.
Cumprimentou-me a mim e à minha mãe. Abriu a bagageira e ajudou-nos a guardar seguramente as malas.
Depois disso abriu-me a porta do banco de trás.
Dei um abraço demorado à minha mãe e um beijo sentido ao meu pai, peguei no meu cãozinho e respirei fundo –assim que ali entrasse estava a entrar para a minha nova vida, e não podia voltar atrás.
Mergulhei, assim, no grande carro, sentando-me no primeiro dos três bancos largos que se sucediam paralelamente.
O motorista entrou também, colocou o cinto e preparou-se para começar a grande viagem.
Vi as casas sucederem-se lentamente, e ainda consegui ver os meus amigos no café, a consolarem-se e a falarem tristemente.
Acenei-lhes, mas eles não repararam em mim, devido ao carro demasiado grande para poder ser-me associado e aos vidros escuros das janelas.
À saída da cidade, senti o carro acelerar, e apenas consegui ter um vislumbre da cidade que deixara –Assim como à minha antiga vida.
_____
Bjs,
Tina!
Por meros segundos, aqueles diminutos segundinhos da minha vida, tentei ignorar o toque intermitente do Telemóvel.
No entanto, o relógio era claro: Sete da tarde, não podia fugir mais.
Levantei-me das velhas cadeiras de madeira do café, com uma lágrima no canto do olho, esforçando-me por não chorar, por não guardar como última memória do “meu grupo” uma imagem enevoada e confusa.
Mas não adiantava suprimir, não adiantava mesmo nada, pois Jennifer já se desfizera num prato interminável.
-Não… N… Não vás! –pediu-me, entre soluços.
Apetecia-me berrar. “Não Vás”!?! Isso era exactamente o que eu queria fazer, queria sentar o rabo naquelas cadeiras e não me mexer até começarem as minhas aborrecidas (as normais) aulas de Décimo Primeiro ano, em Ciências.
Apesar daquilo que me corria na mente, não pude responder-lhe mais do que um simples «Também não queria, mas tem de ser…». Tinha de evitar magoar a minha melhor amiga no dia da nossa despedida.
Matt aproximou-se de mim, limpou-me a lágrima solitária que já me corria pela bochecha e abraçou-me.
-Não ligues –murmurou-me, risonho –Em breve estás de volta.
Fiz um esforço por lhe sorrir também, embora apenas me tenha saído uma amostra nojenta daquilo que costumava ser o meu antigo sorriso.
Aquela era a cara que sempre lembraria associada ao desporto, à boa-disposição, à alegria é ao positivismo, embora fosse também a cara do meu ex-namorado, não via nada disso nela. Aliás, as personalidades eram tão diferentes que quase não me lembrava de que eram gémeos.
Teresa veio em seguida, com um sorriso triste nos lábios.
-Não te esqueças de nós –disse-me –Mas não te impeça de arranjar mais alguém. Tenho a certeza de que serás feliz ali, e quando voltares, tens-nos aqui, assim como nos deixas-te…
-Só que mais parvos e mais bêbedos –riu-se Griff ainda sentado na mesa.
Teresa tremeu de raiva.
-Não, assim como nos deixas-te
Sorri-lhe também, embora as lágrimas já escorressem abundantemente pela minha cara, e ainda me consegui arrancar um riso débil para Griff.
Ele levantou-se também e veio ter comigo.
-Então miúda, não fiques assim. Sabes que vamos estar sempre aqui, e podes sempre mandar uma SMS, a não ser que queiras falar com a Meg, sabes que essa nunca tem bateria… Mas pronto, estamos quase (quase) todos a um SMS de distância.
Meg sorriu-me.
-Já disse que é um problema na bateria! –exclamou, e depois virou-se para mim –Mas não interessa, arranjo-a rápido, só para ti!
O seu sorriso de cabeça-de-vento fez-me desatar a chorar, sentando-me na minha cadeira.
Ela aproximou-se de mim, colocando-me a mão no ombro.
-Não, desta vez é a sério, eu arranjo-a mesmo! –insistiu, com voz consternada.
-Não é a mesma coisa –respondi-lhe –Com nenhum de vocês! Eu quero estar aqui quando se puserem a discutir, quero estar aqui quando forem à praia e a Teresa se vá embora chateada, quero estar aqui nos jantares de aniversário que fizerem na Pizzaria e quero estar aqui quando o Griff se puser a deitar coca-cola pelo nariz! Eu vou ter saudades de tudo, t-u-d-o!
-Eu sei que sim –murmurou ela, tristemente –Também quero que cá estejas, mas não podemos fazer nada. E agora está na altura de levantares a cabeça para o que vem a seguir, porque embora não possas estar cá, sabes que nós cá estamos, e que poderás contar connosco.
-E –acrescentou Griff –Se o problema for veres-me a deitar bebidas pelo nariz, eu posso filmar!
-Eu acho que ela dispensa –Afirmou Teresa, torcendo o nariz.
-Não. –respondi –Eu quero estar cá sempre, custe o que custar (mas pelo menos nomeia o vídeo, para eu não ter de abrir.)
Levantei-me, forçosamente e despedi-me de todos, um por um.
Jennifer ficou para o fim, correndo até mim e dando-me um demorado abraço.
-Eu não te esqueço, prometo. –sussurrou.
-Eu sei –respondi –Nem eu a ti.
Estava à porta de casa, com as minhas malas indispensáveis, quando um grande carro preto chegou.
Não seria necessário referir que era enorme, com a maior bagageira que já vira e um formato antiquado. Não apresentava marca, mas sim uma pequena assinatura no lado direito do capo, que não consegui ler.
Um condutor de aspecto simpático saiu de lá de dentro, completamente diferente daquilo que seria de imaginar para alguém que conduzisse aquele tipo de carro.
Era baixo e semi-calvo, com apenas alguns cabelos castanhos a coroar-lhe a cabeça redonda. Tinha um ar alegre e umas bochechas rosadas.
Cumprimentou-me a mim e à minha mãe. Abriu a bagageira e ajudou-nos a guardar seguramente as malas.
Depois disso abriu-me a porta do banco de trás.
Dei um abraço demorado à minha mãe e um beijo sentido ao meu pai, peguei no meu cãozinho e respirei fundo –assim que ali entrasse estava a entrar para a minha nova vida, e não podia voltar atrás.
Mergulhei, assim, no grande carro, sentando-me no primeiro dos três bancos largos que se sucediam paralelamente.
O motorista entrou também, colocou o cinto e preparou-se para começar a grande viagem.
Vi as casas sucederem-se lentamente, e ainda consegui ver os meus amigos no café, a consolarem-se e a falarem tristemente.
Acenei-lhes, mas eles não repararam em mim, devido ao carro demasiado grande para poder ser-me associado e aos vidros escuros das janelas.
À saída da cidade, senti o carro acelerar, e apenas consegui ter um vislumbre da cidade que deixara –Assim como à minha antiga vida.
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Bjs,
Tina!
05/04/10
Capitulo 3
OK, tecnicamente ainda não passa da meia-noite, mas é quase Terça-Feira, então aqui vai:
Acordei, estremunhada, com a minha mãe aos berros.
-Allison Jenkins, levanta-te imediatamente! Vais para lá amanhã e ainda não tens nem uma mala pronta!
«Amanhã…» Ressoava na minha cabeça, desesperadamente. Queria ficar doente, que aquilo fosse abaixo ou até partir uma perna. Tudo menos ir.
Mas de que me servia desejar aquilo tudo? Não valia a pena dar-me ao trabalho de desejar que algo de terrível me impedisse de ir, porque isso não ia acontecer.
-Sim mãe…
Levantei-me da cama macia, deslizando pela borda e caminhei vagarosamente até ao armário de madeira escura, que era meu desde que me lembrava.
Atirei toda a roupa que queria levar para um canto, e deixei o resto –essencialmente vestidos bimbos de casamentos e baptizados –no armário, acabando por conseguir encher a minha maior mala com ela, assim como outra mais pequena.
De resto, seleccionei os essenciais produtos de higiene, assim como as coisas de Futsu, que me decidira a levar –Era um Beagle pequenino, não dava assim tanto trabalho -, outros produtos e coisas de que poderia precisar e uma mala pequena com aparelhos electrónicos. Para além disso, enviariam depois a minha guitarra.
E enchi ainda uma mala mais pequenina com coisas pessoais carregadas de boas memórias: A moldura que me tinham oferecido aos três anos, que dizia “Allison” em letras grandes e cor de rosa, um colar que a minha Tia me trouxera do Brasil e pelo qual me tinha apaixonado, um pequeno espelho de bolso, cravejado com pedras Semi-preciosas que a minha avó me tinha deixado antes de morrer, uma pedra grande e redonda com um coração gravado (oferecido pelo meu Ex-Namorado que tinha ido estudar para Inglaterra… Deixara-me a chorar por dias a fio, e acreditem que não é fácil) e outras coisas do género –Ou seja, inúteis mas cheias de valor sentimental.
E era só, uma mala muito grande, três pequenas e uma de mão, o que para mim não me soava a muito, e até deixava um certo vazio.
Mas pronto, ignorava-se.
E passei o resto do dia nisto, a escolher coisas para levar, a verificar se já as tinha posto ou a discutir com a minha mãe sobre a verdadeira utilidade das coisas, mas no fim optámos por levar imediatamente três malas pequenas e uma de mão, e depois mandavam-me a grande e outra com coisas que não tinha achado tão essenciais ou me tinha esquecido.
Deitei-me estafada e triste, num estado de depressão tremendo. Não me admirava muito se entrasse em depressão naquele preciso momento, a minha cabeça estava em água com tanta coisa e eu completamente desfeita com tudo aquilo.
Tinha combinado com alguns amigos meus encontraram-me no café habitual com eles, às seis, duas horas antes de partir, mas sabia que isso não ia ser suficiente para matar as saudades que me iriam arrasar.
E por fim, adormeci a pensar nas pessoas que iria conhecer, nas aulas que iria ter e que novas portas se me iriam abrir… Descobri mais tarde que não eram bem as que imaginara…
Era meio-dia.
Acordava sempre àquelas horas no Verão, não tinha paciência para acordar cedo e passar o dia cheia de sono, então…
Escorreguei da cama e esfreguei os olhos. Era “O Grande Dia”, como diziam os meus pais, e eu tinha de estar psicologicamente preparada para o futuro horrível que me esperava, por isso corri pelas escadas abaixo até à cozinha, onde me pus a preparar as minhas habituais torradas matinais.
Peguei em duas fatias de pão e coloquei-as na torradeira, enchi um copo com sumo de Maçã e peguei no frasco de doce caseiro da minha tia, observando a tampa adornada com renda e as palavras gravadas sobre o que restava da etiqueta original do frasco: “Lar Doce Lar”.
Sim, sempre achara o nome foleiro, mas naquele momento, juntamente com o cheiro doce dos morangos, fazia-me lembrar tudo aquilo de que iria ter saudades, incluindo aquele doce que comia quase todas as manhãs.
Um estalo por detrás de mim indicou-me que as torradas estavam prontas.
Corri a ir buscá-las, peguei num prato e peguei numa, com cuidado –Embora não o suficiente. Senti uma dor aguda no dedo e larguei a torrada, que caiu ao chão, onde foi rapidamente abocanhada por Bells, que devia ter andado à espreita.
-Fogo! –berrei, sacudindo a mão. Olhei para a ponta do dedo, que encostara à superfície escaldante da torradeira, e que apresentava agora uma vermelhidão horrível e corri até ao lavatório, onde a coloquei debaixo de água gelada.
Enquanto praguejava baixinho e mordia o lábio, uns passos quase inaudíveis passaram pela porta ligeiramente aberta na minha direcção, e o meu cachorrinho minúsculo entrou no meu campo de visão, sentando-se pacientemente ao meu lado com um ar confuso e a cabecinha ligeiramente inclinada.
Tirei o dedo de debaixo da água corrente e baixei-me, afagando-lhe a mancha castanha à volta do olho esquerdo.
-Pois… -suspirei –Isto não deve ser bom agoiro… Pelo menos tu vens comigo, a ti não me podem tirar… Peço desculpa, não queria que tivesses de ir também, para viver naquela tortura, mas acho que sem ti não sobrevivia.
Ele lambeu um dos meus dedos avidamente e esfregou-se na minha mão, não parecendo importar-se com aquilo que lhe tinha dito. Penso que ele também não sobreviveria sem mim.
-Mas pronto, tenho de acabar o pequeno almoço e vestir-me. Acaba-mos mais umas coisas e depois vamos para o café, e duas horas depois disso, vamos partir para a nossa infeliz tragédia.
Em resposta, o meu cão terminou de lamber os meus dedos e correu para o sitio onde a minha torrada caíra, lambendo as migalhas restantes.
______
Bjs,
Tina!
Acordei, estremunhada, com a minha mãe aos berros.
-Allison Jenkins, levanta-te imediatamente! Vais para lá amanhã e ainda não tens nem uma mala pronta!
«Amanhã…» Ressoava na minha cabeça, desesperadamente. Queria ficar doente, que aquilo fosse abaixo ou até partir uma perna. Tudo menos ir.
Mas de que me servia desejar aquilo tudo? Não valia a pena dar-me ao trabalho de desejar que algo de terrível me impedisse de ir, porque isso não ia acontecer.
-Sim mãe…
Levantei-me da cama macia, deslizando pela borda e caminhei vagarosamente até ao armário de madeira escura, que era meu desde que me lembrava.
Atirei toda a roupa que queria levar para um canto, e deixei o resto –essencialmente vestidos bimbos de casamentos e baptizados –no armário, acabando por conseguir encher a minha maior mala com ela, assim como outra mais pequena.
De resto, seleccionei os essenciais produtos de higiene, assim como as coisas de Futsu, que me decidira a levar –Era um Beagle pequenino, não dava assim tanto trabalho -, outros produtos e coisas de que poderia precisar e uma mala pequena com aparelhos electrónicos. Para além disso, enviariam depois a minha guitarra.
E enchi ainda uma mala mais pequenina com coisas pessoais carregadas de boas memórias: A moldura que me tinham oferecido aos três anos, que dizia “Allison” em letras grandes e cor de rosa, um colar que a minha Tia me trouxera do Brasil e pelo qual me tinha apaixonado, um pequeno espelho de bolso, cravejado com pedras Semi-preciosas que a minha avó me tinha deixado antes de morrer, uma pedra grande e redonda com um coração gravado (oferecido pelo meu Ex-Namorado que tinha ido estudar para Inglaterra… Deixara-me a chorar por dias a fio, e acreditem que não é fácil) e outras coisas do género –Ou seja, inúteis mas cheias de valor sentimental.
E era só, uma mala muito grande, três pequenas e uma de mão, o que para mim não me soava a muito, e até deixava um certo vazio.
Mas pronto, ignorava-se.
E passei o resto do dia nisto, a escolher coisas para levar, a verificar se já as tinha posto ou a discutir com a minha mãe sobre a verdadeira utilidade das coisas, mas no fim optámos por levar imediatamente três malas pequenas e uma de mão, e depois mandavam-me a grande e outra com coisas que não tinha achado tão essenciais ou me tinha esquecido.
Deitei-me estafada e triste, num estado de depressão tremendo. Não me admirava muito se entrasse em depressão naquele preciso momento, a minha cabeça estava em água com tanta coisa e eu completamente desfeita com tudo aquilo.
Tinha combinado com alguns amigos meus encontraram-me no café habitual com eles, às seis, duas horas antes de partir, mas sabia que isso não ia ser suficiente para matar as saudades que me iriam arrasar.
E por fim, adormeci a pensar nas pessoas que iria conhecer, nas aulas que iria ter e que novas portas se me iriam abrir… Descobri mais tarde que não eram bem as que imaginara…
Era meio-dia.
Acordava sempre àquelas horas no Verão, não tinha paciência para acordar cedo e passar o dia cheia de sono, então…
Escorreguei da cama e esfreguei os olhos. Era “O Grande Dia”, como diziam os meus pais, e eu tinha de estar psicologicamente preparada para o futuro horrível que me esperava, por isso corri pelas escadas abaixo até à cozinha, onde me pus a preparar as minhas habituais torradas matinais.
Peguei em duas fatias de pão e coloquei-as na torradeira, enchi um copo com sumo de Maçã e peguei no frasco de doce caseiro da minha tia, observando a tampa adornada com renda e as palavras gravadas sobre o que restava da etiqueta original do frasco: “Lar Doce Lar”.
Sim, sempre achara o nome foleiro, mas naquele momento, juntamente com o cheiro doce dos morangos, fazia-me lembrar tudo aquilo de que iria ter saudades, incluindo aquele doce que comia quase todas as manhãs.
Um estalo por detrás de mim indicou-me que as torradas estavam prontas.
Corri a ir buscá-las, peguei num prato e peguei numa, com cuidado –Embora não o suficiente. Senti uma dor aguda no dedo e larguei a torrada, que caiu ao chão, onde foi rapidamente abocanhada por Bells, que devia ter andado à espreita.
-Fogo! –berrei, sacudindo a mão. Olhei para a ponta do dedo, que encostara à superfície escaldante da torradeira, e que apresentava agora uma vermelhidão horrível e corri até ao lavatório, onde a coloquei debaixo de água gelada.
Enquanto praguejava baixinho e mordia o lábio, uns passos quase inaudíveis passaram pela porta ligeiramente aberta na minha direcção, e o meu cachorrinho minúsculo entrou no meu campo de visão, sentando-se pacientemente ao meu lado com um ar confuso e a cabecinha ligeiramente inclinada.
Tirei o dedo de debaixo da água corrente e baixei-me, afagando-lhe a mancha castanha à volta do olho esquerdo.
-Pois… -suspirei –Isto não deve ser bom agoiro… Pelo menos tu vens comigo, a ti não me podem tirar… Peço desculpa, não queria que tivesses de ir também, para viver naquela tortura, mas acho que sem ti não sobrevivia.
Ele lambeu um dos meus dedos avidamente e esfregou-se na minha mão, não parecendo importar-se com aquilo que lhe tinha dito. Penso que ele também não sobreviveria sem mim.
-Mas pronto, tenho de acabar o pequeno almoço e vestir-me. Acaba-mos mais umas coisas e depois vamos para o café, e duas horas depois disso, vamos partir para a nossa infeliz tragédia.
Em resposta, o meu cão terminou de lamber os meus dedos e correu para o sitio onde a minha torrada caíra, lambendo as migalhas restantes.
______
Bjs,
Tina!
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Capitulo 3
25/03/10
Férias
Bem, na altura da Páscoa, pelo menos na primeira semana não estou cá, então não haverão novos capitulos D=
Mas prometo retomar a publicação o mais cedo possivel!
Obrigada pela paciência!
___
Bjs,
Tina!
Mas prometo retomar a publicação o mais cedo possivel!
Obrigada pela paciência!
___
Bjs,
Tina!
23/03/10
Capitulo 2
Olá outra vez!
Peço desculpa a todos por não ter escrito o que prometi, mas abri o pulso e não pude escrever durante uns tempos se não com a mão esuqerda (e acreditem que não é facil).
Mas depois de uma semana, eu finalmente retomei o ritmo, e espero que não se importem com o meu lapso e esqueçam a ultima semana.
Mas bem, está aqui, na quinta já têm o 3º!
-----
Deixei-me ficar no sofá, sem vontade de fazer nada.
Ainda se ouviam os gritos histéricos da minha mãe na cozinha, passados dez minutos, e eu ainda não me mexera.
Quando finalmente recuperei um pouco, prossegui na leitura dos papeis.
Seriam três anos de estudo, com direito a alojamento, alimentação e conforto.
Dizia que podíamos levar tudo o que precisássemos para uma vida normal, mas que de inicio só levaríamos duas malas e as outras seriam entregues depois. Tínhamos direito a férias no Natal e na Páscoa, e a um mês e meio em casa no Verão, de resto, eram proibidas visitas se não com justificada razão ou autorização previa da Direcção (ou seja, o velhinho excêntrico que governava aquela casinha a que chamava colégio).
Nesse momento, uma gigantesca bola de pelo castanho veio aterrar no meu colo.
-Ao! Bells, isso arranha, sabias?!? –exclamei.
Em resposta, o meu gato pardacento enroscou-se no meu colo.
Comecei a afagar-lhe as orelhas finas, levando-o a ronronar levemente.
-Devia levar-te comigo… Eles diziam que devíamos levar tudo o que nos proporcionasse uma vida normal, e tu fazes parte disso… Mas esquece, ela também não ia deixar… -E olhei longamente para a porta da cozinha, onde a minha mãe continuava a berrar.
-No entanto… -surgiu-me – Eu poderia levar o Futsu… -Que era o meu cachorrinho – Porque ela não me ia dizer nada… Nem sente a falta dele…
Bells olhou-me, e eu julguei ver uma faísca de indignação a percorrer os seus olhos, que segundos depois voltaram a ter o vulgar olhar irracional.
Fechei os olhos por segundos, imaginando como seria ter de me afastar do ar abafado de Florence e ir morar sabe-se lá para onde, numa casa desconhecida cheia de nerds e Snoobes.
O céu azul por cima de mim estava de uma tonalidade baça, devido à quantidade de luzes acesas na cidade – Tinha adormecido.
Conseguia ouvir o meu pai a falar com a minha mãe na cozinha –Infelizmente ele parecia tão contente como ela.
Levantei-me, estalando os ossos das pernas que estavam doridos, e arrastei-me até ao meu quarto.
Atirei-me para cima dos lençóis azuis e deixei a minha cabeça descansar.
Não sabia como tinha adormecido, porque a verdade era que nem tinha sono, mas aquilo acabava por me acontecer sempre que estava stressada, e neste momento eu estava muito.
Era demasiada pressão ter de mudar de escola, de casa, de amigos e de hábitos.
Era demasiada pressão ter de passar a usar farda durante o período das aulas.
Era demasiada pressão ter de partilhar o quarto com três desconhecidas com as quais teria de me dar bem.
Era demasiada pressão passar de uma escola onde estavam seiscentos alunos para uma que tinha vinte.
Era demasiada pressão estar ali, naquele momento, a pensar em tudo o que teria de fazer e na quantidade de pressão que teria de aguentar.
Aos poucos, levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho.
Olhei-me ao espelho.
O cabelo longo e loiro escuro estava embrulhado naquilo a que seria de chamar um “verdadeiro ninho de ratos” e por baixo dos olhos castanhos claros tinha os olhos carregados de olheiras profundas –Agora já não me lembrava de ter dormido tanto na noite anterior.
Tinha uns olhos redondos e um nariz ligeiramente arrebitado, por cima dos lábios finos e de um tom rosado, que contrastavam com a pele bronzeada.
Penteei-me e puxei os cabelos para trás, onde os apanhei num rabo de cavalo. Disfarcei o negro debaixo dos olhos e passei a escova do rímel nas minhas pestanas que eram, infelizmente, muito mazinhas.
Voltei ao quarto, tirei o ato de treino que vestira nessa manhã quando fora correr e vesti qualquer coisa apresentável (que para mim constava num par de Jeans e num top).
Depois lancei-me a correr pelas escadas abaixo, gritei «Vou sair!» aos meus pais e sai para o ar fresco da rua. Estava decidida a minha ultima semana ao máximo, desse por onde desse –Embora eu tivesse medo que desse numa grande bebedeira.
____
Bjs,
Tina!
Peço desculpa a todos por não ter escrito o que prometi, mas abri o pulso e não pude escrever durante uns tempos se não com a mão esuqerda (e acreditem que não é facil).
Mas depois de uma semana, eu finalmente retomei o ritmo, e espero que não se importem com o meu lapso e esqueçam a ultima semana.
Mas bem, está aqui, na quinta já têm o 3º!
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Deixei-me ficar no sofá, sem vontade de fazer nada.
Ainda se ouviam os gritos histéricos da minha mãe na cozinha, passados dez minutos, e eu ainda não me mexera.
Quando finalmente recuperei um pouco, prossegui na leitura dos papeis.
Seriam três anos de estudo, com direito a alojamento, alimentação e conforto.
Dizia que podíamos levar tudo o que precisássemos para uma vida normal, mas que de inicio só levaríamos duas malas e as outras seriam entregues depois. Tínhamos direito a férias no Natal e na Páscoa, e a um mês e meio em casa no Verão, de resto, eram proibidas visitas se não com justificada razão ou autorização previa da Direcção (ou seja, o velhinho excêntrico que governava aquela casinha a que chamava colégio).
Nesse momento, uma gigantesca bola de pelo castanho veio aterrar no meu colo.
-Ao! Bells, isso arranha, sabias?!? –exclamei.
Em resposta, o meu gato pardacento enroscou-se no meu colo.
Comecei a afagar-lhe as orelhas finas, levando-o a ronronar levemente.
-Devia levar-te comigo… Eles diziam que devíamos levar tudo o que nos proporcionasse uma vida normal, e tu fazes parte disso… Mas esquece, ela também não ia deixar… -E olhei longamente para a porta da cozinha, onde a minha mãe continuava a berrar.
-No entanto… -surgiu-me – Eu poderia levar o Futsu… -Que era o meu cachorrinho – Porque ela não me ia dizer nada… Nem sente a falta dele…
Bells olhou-me, e eu julguei ver uma faísca de indignação a percorrer os seus olhos, que segundos depois voltaram a ter o vulgar olhar irracional.
Fechei os olhos por segundos, imaginando como seria ter de me afastar do ar abafado de Florence e ir morar sabe-se lá para onde, numa casa desconhecida cheia de nerds e Snoobes.
O céu azul por cima de mim estava de uma tonalidade baça, devido à quantidade de luzes acesas na cidade – Tinha adormecido.
Conseguia ouvir o meu pai a falar com a minha mãe na cozinha –Infelizmente ele parecia tão contente como ela.
Levantei-me, estalando os ossos das pernas que estavam doridos, e arrastei-me até ao meu quarto.
Atirei-me para cima dos lençóis azuis e deixei a minha cabeça descansar.
Não sabia como tinha adormecido, porque a verdade era que nem tinha sono, mas aquilo acabava por me acontecer sempre que estava stressada, e neste momento eu estava muito.
Era demasiada pressão ter de mudar de escola, de casa, de amigos e de hábitos.
Era demasiada pressão ter de passar a usar farda durante o período das aulas.
Era demasiada pressão ter de partilhar o quarto com três desconhecidas com as quais teria de me dar bem.
Era demasiada pressão passar de uma escola onde estavam seiscentos alunos para uma que tinha vinte.
Era demasiada pressão estar ali, naquele momento, a pensar em tudo o que teria de fazer e na quantidade de pressão que teria de aguentar.
Aos poucos, levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho.
Olhei-me ao espelho.
O cabelo longo e loiro escuro estava embrulhado naquilo a que seria de chamar um “verdadeiro ninho de ratos” e por baixo dos olhos castanhos claros tinha os olhos carregados de olheiras profundas –Agora já não me lembrava de ter dormido tanto na noite anterior.
Tinha uns olhos redondos e um nariz ligeiramente arrebitado, por cima dos lábios finos e de um tom rosado, que contrastavam com a pele bronzeada.
Penteei-me e puxei os cabelos para trás, onde os apanhei num rabo de cavalo. Disfarcei o negro debaixo dos olhos e passei a escova do rímel nas minhas pestanas que eram, infelizmente, muito mazinhas.
Voltei ao quarto, tirei o ato de treino que vestira nessa manhã quando fora correr e vesti qualquer coisa apresentável (que para mim constava num par de Jeans e num top).
Depois lancei-me a correr pelas escadas abaixo, gritei «Vou sair!» aos meus pais e sai para o ar fresco da rua. Estava decidida a minha ultima semana ao máximo, desse por onde desse –Embora eu tivesse medo que desse numa grande bebedeira.
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Bjs,
Tina!
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Capitulo 2
14/03/10
Capitulo 1
Bem, apenas por ser o 1º, vou postar hoje!
Espero que gostem, mas lembrem-se que, por ser o primeiro, ainda não vai ser o melhor, porque são introduções e blá, blá, blá xD
Capitulo 1
Arrastei-me até ao sofá e liguei a televisão.Capitulo 1
Estava a dar mais um Reality Show ordinário, mas eu deixei exactamente naquele canal. Não tinha paciência para mudar.
Estava um tempo abafado e quente, horrível, naquele fim de Verão em Florence, Arizona.
Faltava uma semana para as aulas começarem, para eu começar o meu 11º ano… Mais um ano entediante a estudar ciências.
-Ally? - ouviu-se, ao fundo do corredor. Era a minha mãe, que acabara (acho) de chegar do café. – Cheguei!
«Jura!?!» Era para lhe responder. Digamos que o calor me deixa irritada.
-OK mãe, olá!
-Viste o correio como eu te pedi?
-Hum… Não, desculpa, o calor afecta-me a memória.
Nesse momento ela chegou á sala. Olhei por cima do ombro e vi o seu sobrolho carregado.
-Desculpa, já disse! Eu estou para aqui armada em lontra, não me consigo mexer!
-Oh, por amor de Deus! Ally, por favor, vai ver o correio, estou farta de te diz… -interrompeu-se, a olhar, escandalizada, para alguma coisa por trás de mim.
-Allison Jenkins! Mas que raio é que tu andas a ver na televisão?! - Exclamou. Só nesse momento me apercebi que o Reality Show ordinário ainda estava a passar –E não era só: Também estava numa parte absolutamente nojenta!
-Err… Hum… Não mãe, eu não estava a ver isto, estava… Hum… Pois… Estava sem paciência para mudar de canal. – Tinha dito a verdade, mas não tinha a certeza se a mulher baixinha, de óculos redondos e cabelos castanhos encaracolados tinha acreditado.
-Olha, nem quero saber, desliga essa porcaria e vai buscar-me o correio.
Ia preparar-me para lhe responder, mas vi o ar dela e limitei-me a praguejar e prosseguir.
Ainda não percebia porque é que ela não apanhara o correio logo á entrada, mas decidi não fazer comentários.
Sai de casa e dirigi-me á pequena caixa embutida no tijolo do muro. Tirei o correio todo – Três panfletos de restaurantes chineses, a conta de água, da luz e a do gás, uma carta para o meu pai, um postal para a minha mãe e ainda uma carta pesada embrulhada em papel fino e dispendioso, endereçada á família toda.
Deixei a carta do meu pai no escritório dele, deitei logo a publicidade no lixo, deixei as contas no balcão da cozinha e levei o postal e a outra carta para a sala.
-Mãe? Chegou este postal para ti, acho que é da Sophia – disse eu. Sophia era a melhor amiga histérica dela.
-Dá cá!! – quase implorou, correndo até mim.
-OK! -exclamei, quando ela praticamente se atirou para cima de mim.
Ela arrancou-o das minhas mãos e leu-o avidamente.
-Que giro! – e lançou-se num relato do que estava a ler – Ela diz que conheceu um Francês muito simpático e… Oh! – Exclamou, sufocada – ão casar-se! Ela depois envia os convites! Diz que também devíamos ir a Paris, a Europa é magnífica!
E continuou a falar sozinha.
Entretanto, eu revirava a carta pesada nas mãos, a imaginar o que lá estaria dentro.
Quando ela acabou a sua leitura olhou para mim, e os seus olhos pareceram salivar para o envelope de papel caro.
-O que é isso? – perguntou, com um súbito interesse que mostrava sempre que lhe cheirava a luxo.
-Não sei, vinha endereçado à família… Deve ser para tu leres, toma – estiquei o braço na sua direcção.
Ela voltou a arrancar-me o envelope da mão.
Abriu-o, expectante.
Aguardei, enquanto os seus olhos, cada vez mais abertos, balançavam entre as linhas.
Ela soltou um grito sufocado quando chegou ao fim da página.
-O quê? O que é? – inquiri. Agora também estava curiosa.
-Era de uma tal… Âmes Maison… Eles são… Uma Casa que, pelo que percebi, escolhem vinte alunos, dez rapazes e dez raparigas, a cada três anos para irem estudar para lá… Eles querem que vás.
O choque percorreu cada centímetro do meu ser. Eu? Allison Jenkins, a aluna normal de uma escola qualquer, a ir estudar para uma, aparentemente, escola extremamente selecta? Devia ser um engano…
-Tens a certeza que não veio mal endereçada? – perguntei, tremula.
-Não… “Cara Mrs. Jenkins, desejamos informá-la de que…”… -depois recompôs-se, em dois segundos – Mas é claro que vamos aceitar! Toma – atirou-me umas folhas de papel – São folhas com o material que tens de levar e umas informações! Isto é excelente! Vou ligar à Sophia e…
Continuou a falar, enquanto eu dava uma vista de olhos pelas folhas. Os meus olhos pararam numa data e o meu estômago dobrou-se em dois. Partia dali a uma semana. Boa, perfeito! Ia estudar para uma escola cheia de meninos ricos e inteligentes, e de certeza que não me ia integrar, mas a minha mãezinha histérica tinha de aceitar “com o maior prazer”…
Estava tão absorta na minha tristeza, e a minha mãe na sua felicidade que nenhuma de nós se lembrou de traduzir o Francês: Casa das Almas…
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Capitulo 1
12/03/10
Sintese
Bem, agora deixo-vos com uma pequena sintese:
"Allinson Jenkins vive naquele mundo aparentemente normal em que todos vivemos.
Talvez tenha como unica diferença um unico mito urbano, que fala daqueles que... Capturam as Almas?
Disparates, histórias inventadas para assustar crianças, é o que tu ou eu pensariamos, tal como Allinson pensa, até ao momento em que uma misteriosa convocação lhe chega, de um aparente velho excentrico, que decidiu transformar a sua mansão numa escola particular onde vinte sortudos adoloscentes poderão estudar e viver durante três anos.
Mas Allinson é convocada? A miuda das notas normais, que não é nenhuma mestre em calcular, escrever, ou qualquer outra coisa que se possa aprender numa escola.
É claro que com a sua mãe por perto, que quase tem um ataque cardiaco quando vê a convocatória, Allinson não tem opção se não deixar a sua escola e os seus amigos e partir para a velha mansão.
Mas como todos devemos saber, nem tudo é o que parece, e Allinson descobre isso da melhor (ou pior) maneira, quando se vê obrigada a dominar a arte da invocação, necromancia e comunicação com seres paralelos.
Há apenas uma regra: Ninguém, ninguém mesmo, deve manter qualquer tipo de relacionamento com um Espirito, nem falar com eles por mais que uns segundos, se não estiverem domados, pois eles podem ser muito persuasivos, e se forem libertados...
Quando Allinson se vê obrigada a cometer um crime com o qual não poderia viver, várias escolhas se lhe apresentam, umas mais tentadoras que outras, mas apenas uma acertada, a qual seria mais apropriada de se escolher...
"Allinson Jenkins vive naquele mundo aparentemente normal em que todos vivemos.
Talvez tenha como unica diferença um unico mito urbano, que fala daqueles que... Capturam as Almas?
Disparates, histórias inventadas para assustar crianças, é o que tu ou eu pensariamos, tal como Allinson pensa, até ao momento em que uma misteriosa convocação lhe chega, de um aparente velho excentrico, que decidiu transformar a sua mansão numa escola particular onde vinte sortudos adoloscentes poderão estudar e viver durante três anos.
Mas Allinson é convocada? A miuda das notas normais, que não é nenhuma mestre em calcular, escrever, ou qualquer outra coisa que se possa aprender numa escola.
É claro que com a sua mãe por perto, que quase tem um ataque cardiaco quando vê a convocatória, Allinson não tem opção se não deixar a sua escola e os seus amigos e partir para a velha mansão.
Mas como todos devemos saber, nem tudo é o que parece, e Allinson descobre isso da melhor (ou pior) maneira, quando se vê obrigada a dominar a arte da invocação, necromancia e comunicação com seres paralelos.
Há apenas uma regra: Ninguém, ninguém mesmo, deve manter qualquer tipo de relacionamento com um Espirito, nem falar com eles por mais que uns segundos, se não estiverem domados, pois eles podem ser muito persuasivos, e se forem libertados...
Quando Allinson se vê obrigada a cometer um crime com o qual não poderia viver, várias escolhas se lhe apresentam, umas mais tentadoras que outras, mas apenas uma acertada, a qual seria mais apropriada de se escolher...
Terá essa capacidade?"
Bem, acho que é só!
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Bjs,
Tina!
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Sintese
Introdução
Olá!
Bem, se já alguma vez visitás-te o blog Casa da Noite PT, talvez saibas quem sou, pois escrevi a Fanfic que lá está a ser publicada (Abandoned).
Mas depois desse projecto meio "preso" (pois tinha de estar presa a uma ideia já criada), decidi começar a publicar o meu pequeno projecto independente, The Allison's Secret, que traduz a minha paixão pelas letras e pelas aventuras fantásticas que nelas podemos viver.
Não quero, nem consigo, chegar aos calcanhares de grandes escritores, mas mais uma vez, faço isto por paixão ao que faço, e não para ter qualquer especie de lucro com isso.
Só me resta desejar-lhes uma boa viagem através desta História, e que ela vos proporcione alguns momentos de alegria!
____
Bjs,
Tina!
Bem, se já alguma vez visitás-te o blog Casa da Noite PT, talvez saibas quem sou, pois escrevi a Fanfic que lá está a ser publicada (Abandoned).
Mas depois desse projecto meio "preso" (pois tinha de estar presa a uma ideia já criada), decidi começar a publicar o meu pequeno projecto independente, The Allison's Secret, que traduz a minha paixão pelas letras e pelas aventuras fantásticas que nelas podemos viver.
Não quero, nem consigo, chegar aos calcanhares de grandes escritores, mas mais uma vez, faço isto por paixão ao que faço, e não para ter qualquer especie de lucro com isso.
Só me resta desejar-lhes uma boa viagem através desta História, e que ela vos proporcione alguns momentos de alegria!
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Bjs,
Tina!
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Introdução
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